GoldenEco utiliza bacteriófagos para combater bactérias em cultivos de tomate e pimentão e avança rumo ao mercado dos EUA.
A EcoPhage recebeu aprovação da Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos (EPA) para o GoldenEco, biopesticida desenvolvido a partir de bacteriófagos, vírus encontrados naturalmente no ambiente capazes de infectar e eliminar bactérias específicas. A decisão regulatória, concedida em 16 de setembro, representa uma etapa importante para a futura comercialização da tecnologia no país.
Desenvolvido pela agtech israelense, o produto é direcionado ao controle de espécies dos gêneros Xanthomonas e Pseudomonas, associadas a problemas bacterianos que afetam cultivos de tomate e pimentão. Antes de chegar aos produtores norte-americanos, entretanto, o GoldenEco ainda precisa obter os registros exigidos em nível estadual.
A tecnologia surge como alternativa aos tratamentos convencionais à base de cobre. O uso recorrente dessas soluções ao longo dos anos contribuiu para o surgimento de populações bacterianas resistentes em diferentes regiões produtoras, reduzindo a eficiência das estratégias tradicionais de controle.
Combinação de bacteriófagos amplia espectro de atuação
A plataforma da EcoPhage explora a capacidade dos bacteriófagos de reconhecer bactérias específicas. Após se ligar à célula bacteriana, o vírus introduz seu material genético e utiliza a própria estrutura celular para se multiplicar, levando posteriormente à ruptura e eliminação da bactéria.
Como diferentes bacteriófagos podem atuar sobre grupos restritos de bactérias, a companhia desenvolveu o GoldenEco como uma combinação de múltiplos fagos. A estratégia busca atingir diferentes cepas de Xanthomonas e Pseudomonas encontradas no campo e reduzir a dependência de um único mecanismo de atuação.
Para desenvolver essas combinações, a empresa seleciona bacteriófagos provenientes de amostras ambientais e avalia características como o modo de infecção e a atividade contra os microrganismos-alvo. Os candidatos considerados complementares são então reunidos na formulação.
Segundo a EcoPhage, a especificidade dos bacteriófagos permite direcionar a ação aos patógenos bacterianos sem afetar as plantas e insetos benéficos. A companhia também afirma que a tecnologia preserva de maneira mais ampla as comunidades microbianas presentes no solo e nas folhas.
Ensaios nos Estados Unidos antecedem avanço comercial
Testes de campo realizados nos Estados Unidos indicaram, segundo a empresa, desempenho superior do GoldenEco no controle bacteriano em comparação às práticas convencionais baseadas em cobre. A EcoPhage, porém, ainda não disponibilizou resultados detalhados desses ensaios em publicação científica revisada por pares, incluindo indicadores de severidade ou produtividade.
Com sede em Rehovot, Israel, e integrante do portfólio da Trendlines Group, a empresa pretende agora avançar com registros estaduais, parcerias comerciais e ações junto aos produtores antes do lançamento completo nos Estados Unidos.
O GoldenEco integra uma estratégia mais ampla da EcoPhage para desenvolver soluções de proteção de cultivos baseadas em bacteriófagos. A companhia possui outra solicitação de biopesticida submetida à EPA e mantém projetos voltados ao controle de outros problemas bacterianos na agricultura.

