Tecnologia sem transgenes reduziu em cerca de 42% os danos causados por Phytophthora e avança para validação e desenvolvimento comercial.
A AgroNetica, startup de tecnologia agrícola sediada nos Estados Unidos, está avançando no desenvolvimento de uma variedade de cacau editada geneticamente e sem transgenes, projetada para apresentar maior resistência a Phytophthora, patógeno associado à podridão-parda dos frutos. A companhia pretende avançar para etapas comerciais da tecnologia ao longo de 2027.
Subsidiária da israelense BetterSeeds, a AgroNetica foi criada para aplicar ao cacau a plataforma de edição genética de segunda geração desenvolvida pela companhia. O projeto aproveita pesquisas conduzidas por cientistas do Departamento de Ciência Vegetal da Penn State University.
Em ensaios controlados, as plantas editadas apresentaram aproximadamente 42% menos danos após a infecção por Phytophthora. Segundo a empresa, a característica também foi transmitida à geração seguinte, resultado considerado importante para a multiplicação das plantas e o desenvolvimento futuro de materiais destinados ao cultivo comercial.
Edição genética mira resistência do cacau
O desenvolvimento ocorre em um cenário de pressão sobre a cadeia global do cacau, marcado por perdas relacionadas a patógenos, temperaturas elevadas e períodos de seca. A AgroNetica busca utilizar a edição genética para desenvolver plantas capazes de manter melhor desempenho agronômico diante dessas condições.
A plataforma tecnológica da BetterSeeds já foi aplicada a outras culturas para características relacionadas à tolerância ao calor e à seca, produtividade, maturação acelerada, arquitetura vegetal e sincronização da formação de frutos.
Para o cacau, a AgroNetica também pretende investigar características adicionais, entre elas a redução da absorção de metais pesados e o desenvolvimento de variedades sem cafeína.
A companhia argumenta que a edição genética pode reduzir o tempo necessário para introduzir determinadas características em comparação aos programas convencionais de melhoramento, especialmente em uma cultura perene como o cacau, cujas plantas levam anos para atingir a maturidade.
Empresa prepara validação e desenvolvimento comercial
As próximas etapas incluem validação em campo, multiplicação das plantas e desenvolvimento comercial. A AgroNetica pretende alcançar etapas comerciais durante 2027 e busca estabelecer colaborações e joint ventures com fabricantes de chocolate, processadores, produtores e outros integrantes da cadeia do cacau.
A empresa também relaciona o desenvolvimento de plantas mais resistentes à possibilidade de elevar a produtividade das áreas já cultivadas. A estratégia poderia contribuir para reduzir perdas e a necessidade de expansão da produção para novas áreas.
Esse aspecto ganha relevância diante das novas exigências relacionadas ao desmatamento em mercados como a União Europeia, que incluem o cacau entre as commodities sujeitas às regras de comercialização associadas à origem da produção.
A AgroNetica também acompanha as mudanças regulatórias envolvendo novas técnicas genômicas. Segundo a companhia, a evolução das regras para plantas obtidas por edição genética poderá contribuir para a transição dessas tecnologias da pesquisa para aplicações agrícolas comerciais.

