Plataforma EXORT utiliza sinais naturais das plantas para otimizar processos biológicos e dará origem aos primeiros produtos comerciais em 2027.
A Syngenta apresentou a EXORT, uma nova plataforma biológica baseada em microRNAs naturalmente presentes nas plantas. A tecnologia foi desenvolvida para atuar sobre processos relacionados ao desenvolvimento das culturas e ao aproveitamento de seus próprios recursos biológicos.
Projetada para aplicação foliar em doses reduzidas, a solução utiliza microRNAs selecionados para influenciar mecanismos de regulação das plantas. Diferentemente de tecnologias convencionais direcionadas ao controle de pragas ou doenças, a proposta é utilizar essas pequenas moléculas reguladoras para interferir em processos ligados ao desenvolvimento e à resposta das culturas às diferentes condições de cultivo.
Segundo a Syngenta, a EXORT é resultado de avanços em áreas como genômica, bioinformática e ciência vegetal, que permitiram identificar e aplicar microRNAs naturais com maior precisão.
Tecnologia passa por testes em diferentes culturas
A plataforma foi avaliada durante vários anos em um programa de campo envolvendo arroz, milho, algodão, hortaliças, frutas e outras culturas em diferentes regiões. A companhia afirma ter observado ganhos consistentes de produtividade nos testes, embora não tenha divulgado dados detalhados sobre os resultados.
Para Camilla Corsi, responsável por Pesquisa e Desenvolvimento em Proteção de Cultivos da Syngenta, a tecnologia transforma um mecanismo biológico fundamental em uma solução com aplicação prática na agricultura.
Os microRNAs participam naturalmente da regulação da atividade gênica e de diferentes processos biológicos das plantas. Com a EXORT, a empresa busca selecionar moléculas específicas e viabilizar sua aplicação em escala agrícola, favorecendo uma utilização mais eficiente dos recursos pelas culturas.
Primeiros produtos estão previstos para 2027
A Syngenta pretende lançar os primeiros produtos desenvolvidos a partir da plataforma em 2027, com expansão gradual para aproximadamente 20 países e diferentes culturas.
A companhia posiciona a EXORT como uma plataforma capaz de originar uma nova classe de produtos biológicos e afirma que a tecnologia poderá ser incorporada às práticas agrícolas existentes, sem exigir mudanças significativas nas operações de campo.
Até o momento, a Syngenta não informou quais serão os primeiros mercados e culturas atendidos, nem divulgou detalhes sobre formulações comerciais ou o estágio regulatório dos produtos que utilizarão a tecnologia.

