Testes da Seawin Biotech apontam potencial de polissacarídeos de algas para melhorar a estabilidade e o desempenho de produtos microbianos.
A utilização de polissacarídeos de algas verdes em processos de fermentação pode abrir novas possibilidades para o desenvolvimento de produtos microbianos destinados à agricultura. Testes conduzidos pela chinesa Seawin Biotech apontam efeitos sobre a sobrevivência de microrganismos durante armazenamento e processamento, além de alterações em parâmetros relacionados ao desempenho funcional das bactérias.
O trabalho integra uma linha de pesquisa da companhia baseada no conceito de “meio de fermentação bioestimulante”. A abordagem propõe ampliar o papel tradicional do meio de cultura, considerando não apenas o fornecimento de nutrientes e a quantidade de células obtidas ao final da fermentação, mas também o estado fisiológico e o desempenho dos microrganismos ao longo do ciclo de vida do produto.
Essa perspectiva considera uma característica importante dos produtos microbianos agrícolas: entre a produção e a aplicação no campo, os microrganismos passam por etapas como processamento, armazenamento, transporte e distribuição. A capacidade de permanecer viáveis diante dessas condições pode, portanto, influenciar a qualidade final da formulação.
Polissacarídeos favorecem sobrevivência durante armazenamento
Em um dos experimentos, a Seawin Biotech avaliou inoculantes líquidos contendo Bacillus subtilis. Os pesquisadores adicionaram polissacarídeos de algas verdes em concentrações de 2‰ e 3‰ e analisaram a sobrevivência das bactérias após sete dias de armazenamento a 40 °C.
No controle, a taxa de sobrevivência foi de 71,4%. Com a concentração de 2‰, o indicador alcançou 78,9%, enquanto a utilização de 3‰ elevou a taxa para 84,4%.
Os resultados indicam que a incorporação do ingrediente ao sistema de cultivo pode contribuir para aumentar a tolerância das células às condições encontradas após a fermentação. O efeito observado, entretanto, variou conforme a concentração utilizada.
A empresa também investigou o comportamento dos microrganismos durante a secagem por pulverização, processo empregado na fabricação de produtos microbianos em pó e que expõe as células a altas temperaturas e rápida desidratação.
Com a adição de 2‰ de polissacarídeos, não houve alteração relevante na contagem de células viáveis em comparação ao controle. Na concentração de 3‰, entretanto, a contagem passou de 875 × 10⁸ UFC/g para 1.110 × 10⁸ UFC/g, resultado equivalente a um aumento de 26,8%.
Segundo a companhia, os dados sugerem potencial para utilização dos polissacarídeos também como componentes capazes de auxiliar a proteção das células durante determinadas etapas industriais. A concentração adequada, porém, precisa ser definida de acordo com fatores como cepa, condições de cultivo e método de processamento.
Meio de fermentação influencia características funcionais
Além da sobrevivência das bactérias, os experimentos investigaram se alterações no meio de cultivo poderiam interferir em características relacionadas à atuação dos microrganismos.
Nos testes com Bacillus subtilis, a presença dos polissacarídeos foi associada a uma maior formação de biofilme. Essa característica pode ter importância para a capacidade de colonização das bactérias em superfícies radiculares e na rizosfera.
Os pesquisadores também observaram maior atividade inibitória do caldo de fermentação contra patógenos associados à murcha de Fusarium em morango e gengibre.
Outra frente do trabalho avaliou a produção de ácido indol-3-acético (AIA), composto relacionado ao crescimento vegetal. Foram utilizadas cepas de Bacillus subtilis e Bacillus amyloliquefaciens cultivadas em sistemas convencionais e em meios contendo polissacarídeos de algas verdes.
Nos dois casos, a produção de AIA ficou aproximadamente 120% acima dos valores observados no sistema convencional. Para B. subtilis, a concentração passou de 18,57 ppm para 40,70 ppm. Em B. amyloliquefaciens, avançou de 16,22 ppm para 35,55 ppm.
Ensaios realizados posteriormente com mudas de pimentão também registraram diferenças em parâmetros como altura das plantas e peso fresco nos tratamentos que receberam os caldos de fermentação produzidos com os polissacarídeos.
Formulação considera todo o ciclo de vida dos biológicos
Os resultados apresentados pela Seawin Biotech reforçam uma abordagem de desenvolvimento na qual o desempenho de um produto microbiano não é avaliado exclusivamente pela quantidade de células viáveis obtidas ao final da fermentação.
A proposta é considerar de forma integrada etapas como produção, processamento, armazenamento e aplicação, buscando condições de cultivo capazes de contribuir tanto para a sobrevivência quanto para determinadas funções dos microrganismos.
Os dados divulgados são resultados preliminares da própria empresa e os efeitos podem variar conforme as cepas, concentrações e condições de processamento utilizadas. Ainda assim, o trabalho aponta uma possível aplicação dos polissacarídeos de algas verdes como ferramenta de formulação e produção de tecnologias microbianas para a agricultura.

