Um consórcio formado por empresas e instituições de pesquisa da França iniciou um projeto voltado ao desenvolvimento de uma nova geração de tecnologias biológicas para a cultura do tomate. Batizada de Biosphaere, a iniciativa terá duração de três anos e trabalhará com diferentes abordagens para ampliar as alternativas disponíveis para a proteção vegetal.
O programa reúne Gene&GreenTK, Lipofabrik, do Eléphant Vert Group, Instituto Nacional de Pesquisa para Agricultura, Alimentação e Meio Ambiente da França (INRAE) e o laboratório Enigma. Com orçamento total de € 3 milhões, o projeto recebeu € 1,5 milhão em financiamento público por meio do programa France 2030 – i-Démo.
Entre as frentes tecnológicas estudadas estão enzimas antimicrobianas, lipopeptídeos produzidos por biotecnologia microbiana, microrganismos de biocontrole e substâncias antifúngicas de origem natural. O objetivo é transformar essas abordagens em produtos capazes de integrar estratégias de proteção do tomate contra diferentes desafios encontrados no cultivo.
A cultura foi escolhida como prioridade devido à sua relevância econômica para o sul da França e à demanda por novas ferramentas de manejo. Entre os alvos considerados pelo projeto estão bactérias fitopatogênicas associadas ao cancro bacteriano, o fungo Botrytis cinerea, responsável pelo mofo-cinzento, e Tuta absoluta, inseto que afeta especialmente a produção de tomate em ambientes protegidos.
Da pesquisa à aplicação no campo
O Biosphaere pretende avançar além da identificação de candidatos biológicos. O programa acompanhará diferentes etapas de desenvolvimento, desde a produção e formulação das substâncias ativas até avaliações experimentais e testes em condições representativas do uso agrícola.
O trabalho também considera fatores necessários para uma futura aplicação comercial das tecnologias, incluindo aumento da escala produtiva, viabilidade econômica e atendimento às exigências regulatórias.
Cada integrante do consórcio ficará responsável por uma área específica do desenvolvimento. A Gene&GreenTK trabalhará com enzimas antimicrobianas e com a otimização da produção dos candidatos a ativos. Já a Lipofabrik contribuirá com o desenvolvimento, a formulação e o escalonamento industrial de lipopeptídeos e outras tecnologias de biocontrole provenientes de biotecnologia microbiana.
O INRAE será responsável pela avaliação científica dos candidatos, enquanto o laboratório Enigma conduzirá ensaios experimentais e avaliações de desempenho em condições próximas às encontradas na produção agrícola.
Com execução prevista entre janeiro de 2026 e dezembro de 2028, o projeto busca criar alternativas biológicas que possam ampliar as ferramentas disponíveis aos produtores de tomate e reduzir a dependência de métodos convencionais de proteção de cultivos.

