Área tratada com tecnologias biológicas cresce 35% na safra 2025/26, com avanço em importantes culturas agrícolas.
O mercado brasileiro de produtos biológicos para proteção de cultivos manteve trajetória de expansão na safra 2025/26. Dados da Kynetec apontam que o segmento movimentou mais de R$ 5,3 bilhões no ciclo encerrado em julho, acima dos R$ 4,4 bilhões registrados na temporada anterior.
As informações foram apresentadas durante o 3º Fórum de Bioinsumos, realizado em São Paulo, e mostram também crescimento da área potencialmente tratada (PAT). O indicador alcançou mais de 107 milhões de hectares na safra 2025/26, avanço de 35% em relação aos 79,2 milhões de hectares do ciclo anterior.
A metodologia considera as diferentes aplicações realizadas ao longo de uma safra. Dessa forma, um mesmo hectare físico pode ser contabilizado mais de uma vez quando recebe tratamentos distintos.
A evolução também se destaca em uma perspectiva de médio prazo. Há cinco anos, o mercado de produtos biológicos movimentava R$ 2,12 bilhões no país. Segundo Vitor Hugo Leite, coordenador de Inteligência de Mercado da Kynetec, a adoção dessas tecnologias vem avançando em ritmo superior ao crescimento da própria área agrícola brasileira e da proteção convencional de cultivos.
Enquanto a área cultivada no país tem crescido, em média, entre 3% e 4% ao ano, a área tratada com produtos químicos para proteção de cultivos avançou 11% ao longo das últimas cinco safras. Entre os biológicos, o crescimento anual ficou próximo de 30%.
Soja concentra maior participação
A soja permanece como o principal mercado para produtos biológicos no Brasil e representa aproximadamente metade do segmento. Na sequência aparece o milho de primeira e segunda safras, com participação próxima de 20%. Cana-de-açúcar, café, frutas e hortaliças também figuram entre as culturas relevantes para essas tecnologias.
Somente na soja, a área potencialmente tratada com biológicos passou de 41,6 milhões de hectares em 2024/25 para mais de 58 milhões de hectares na temporada 2025/26.
Os nematicidas biológicos estão entre os principais responsáveis por esse movimento. Atualmente, mais da metade da área de soja utiliza produtos biológicos direcionados ao manejo de nematoides. A expansão acompanha tanto a maior pressão desses organismos quanto os esforços da indústria e de instituições de pesquisa para mensurar seus impactos econômicos sobre as lavouras.
Mato Grosso, Goiás, Pará e a região do Matopiba aparecem entre os mercados com maior avanço. Nessas localidades, a adoção de nematicidas biológicos ultrapassou 50% na safra 2025/26.
Biológicos ampliam presença no milho e algodão
O milho de segunda safra apresentou uma das evoluções mais expressivas. Em 2020, os produtos biológicos estavam presentes em aproximadamente 6% da área da cultura. Na temporada 2025/26, a participação chegou a cerca de 64%, equivalente a 22,9 milhões de hectares potencialmente tratados.
Entre os fatores associados ao avanço está o manejo da cigarrinha-do-milho, com produtores incorporando tecnologias biológicas aos programas integrados que também utilizam produtos convencionais. A janela reduzida para aplicações durante a safrinha e a expansão do tratamento industrial de sementes também contribuíram para esse cenário.
No algodão, os biológicos alcançaram 74% da área plantada, correspondendo a 4,9 milhões de hectares na safra 2025/26. No ciclo anterior, eram 4,2 milhões de hectares, enquanto há cinco anos o volume estava próximo de 1 milhão.
O tratamento industrial de sementes com nematicidas biológicos aparece como um dos vetores dessa expansão. Segundo a Kynetec, a tecnologia vem ampliando sua presença comercial à medida que os produtores incorporam esses produtos às estratégias de manejo.
Cana-de-açúcar mantém alta adoção
Na cana-de-açúcar, a utilização de produtos biológicos chegou a 60% da área da cultura, ou 12,5 milhões de hectares, frente a uma participação anterior próxima de 50%.
Os biofungicidas estão entre os destaques nesse mercado, acompanhados por iniciativas direcionadas à sanidade e à produtividade dos canaviais. Empresas e instituições acadêmicas também vêm ampliando estudos destinados a demonstrar o retorno econômico dessas tecnologias para as usinas.
Apesar do crescimento registrado em diferentes culturas, os dados indicam espaço para uma presença ainda maior dos biológicos, especialmente na soja. Mais de 80% da área tratada contra nematoides já utiliza produtos dessa categoria, enquanto a participação permanece menor em outros alvos relevantes.
No manejo do mofo-branco, por exemplo, os biológicos representam aproximadamente 20% da área tratada. Tecnologias direcionadas a lagartas, ferrugem, doenças foliares e percevejos aparecem entre as possíveis novas frentes de expansão.
O cenário indica uma mudança no posicionamento dos produtos biológicos dentro da proteção de cultivos no Brasil. De alternativas utilizadas em aplicações específicas, essas tecnologias avançam em direção a uma integração mais ampla aos programas de manejo, combinadas a outras ferramentas disponíveis para diferentes culturas e desafios agronômicos.

