Proteção de cultivos alcançou 1,2 bilhão de hectares em área potencial tratada, com avanço também no volume aplicado e maior participação dos inseticidas na cobertura
A intensidade de uso das tecnologias de proteção de cultivos aumentou no Brasil no primeiro semestre de 2026. A área potencial tratada (APT) com produtos fitossanitários cresceu 5% em relação ao mesmo período do ano anterior, alcançando 1,2 bilhão de hectares nos primeiros seis meses do ano.
O avanço corresponde a um acréscimo de 59 milhões de hectares tratados, segundo levantamento da Kynetec Brasil encomendado pelo Sindicato Nacional da Indústria de Produtos para Defesa Vegetal (Sindiveg).
O volume total de produtos fitossanitários aplicados também avançou, com crescimento de 4,5% em comparação com o primeiro semestre de 2025.
Parte desse movimento esteve relacionada à maior pressão de pragas durante o período, principalmente no manejo de lagartas, percevejos e mosca-branca (Bemisia tabaci) na soja.
Os números abrangem os tratamentos finais realizados na safra de verão 2025/26 e o estabelecimento e desenvolvimento das culturas de segunda safra, com destaque para milho e algodão.
Área tratada revela intensidade das tecnologias
Diferentemente da área plantada, a métrica de Área Potencial Tratada considera o número de aplicações e a quantidade de produtos utilizados.
O indicador permite, portanto, observar não apenas a extensão territorial ocupada pelas culturas, mas também a intensidade de adoção das diferentes tecnologias de proteção vegetal.
No primeiro semestre, o milho respondeu pela maior parcela da APT brasileira, com 35% do total. A soja representou 29% e o algodão, 14%.
Cana-de-açúcar respondeu por 4%, frutas e hortaliças por 2%, feijão por 2%, citros por 2%, arroz por 2% e trigo por outros 2%.
As pastagens, que representaram 6% no levantamento, não fazem parte do foco editorial do Agri Innovation, direcionado à produção vegetal.
Inseticidas lideram participação por área tratada
A composição do mercado muda significativamente quando são comparados o volume utilizado e a área efetivamente tratada pelas diferentes categorias.
Em volume de produtos, os herbicidas responderam por 41% do total aplicado no primeiro semestre. Na sequência aparecem inseticidas, com 29%, e fungicidas, com 22%.
Quando o indicador considerado é a área tratada, entretanto, os inseticidas assumem a liderança, com 35% da cobertura.
Os herbicidas representam 19% e os fungicidas, 17%. O tratamento de sementes corresponde a 6% da área protegida.
Outras tecnologias, entre elas adjuvantes e reguladores de crescimento vegetal, somaram 23%.
A diferença entre participação em volume e participação na APT está relacionada às distintas taxas de aplicação e à intensidade de utilização de cada categoria.
Os dados mostram que analisar apenas o volume comercializado não é suficiente para compreender a dinâmica das tecnologias de proteção de cultivos no país.
Demanda se concentra nas principais regiões agrícolas
O levantamento também mostra concentração geográfica na utilização das tecnologias.
Mato Grosso e Rondônia responderam conjuntamente por 35% do consumo de defensivos considerando a área tratada. São Paulo e Minas Gerais representaram 18%. Segundo a AgNews, a região identificada no levantamento como BAMATOPIPA respondeu por 15% da área tratada.
Além da pressão de pragas observada no período, a expansão das culturas de segunda safra contribuiu para elevar a demanda por tecnologias de proteção.
O crescimento simultâneo da área potencial tratada e do volume aplicado reforça a relevância do mercado brasileiro para empresas de proteção de cultivos e seus fornecedores de tecnologias, ao mesmo tempo em que amplia a demanda por soluções capazes de combinar eficiência de aplicação, desempenho agronômico e otimização do uso de insumos.

