Pesquisa brasileira usa fermentação e microrganismos para transformar resíduos de Trichoderma em bioinsumo para o solo.
Pesquisadores brasileiros desenvolveram um condicionador biológico do solo a partir do reaproveitamento de resíduos de arroz gerados durante a produção do fungo Trichoderma asperelloides. A tecnologia utiliza o material residual como substrato para o cultivo da actinobactéria Streptomyces sp. BEI-18A por meio de fermentação em estado sólido.
O trabalho, publicado no Brazilian Journal of Microbiology, avaliou uma estratégia que combina biotecnologia e aproveitamento de resíduos agroindustriais para obtenção de um novo bioinsumo. O estudo envolveu pesquisadores de instituições do Rio Grande do Sul e teve sua etapa experimental conduzida na biofábrica da Beifiur, em Garibaldi (RS).
No processo, o resíduo de arroz proveniente da produção de Trichoderma foi utilizado sem etapas adicionais de esterilização, secagem ou moagem. Após a incorporação de Streptomyces sp. BEI-18A, o material passou por fermentação em estado sólido durante sete dias, a 25 °C.
Os pesquisadores analisaram características físicas, químicas e biológicas do material de acordo com critérios brasileiros para condicionadores de solo. Os resultados mostraram aumento da abundância microbiana, da atividade enzimática e da atividade metabólica dos microrganismos no solo. O material atendeu aos requisitos para classificação como condicionador biológico do solo, embora não tenha alcançado todos os parâmetros necessários para a classificação físico-química.
A tecnologia também foi avaliada em vasos com milho para verificar seus efeitos durante o desenvolvimento inicial das plantas. A aplicação aumentou indicadores biológicos do solo, incluindo a abundância microbiana e a atividade das enzimas β-glucosidase e arilsulfatase. Entretanto, a pesquisa não encontrou melhora significativa na maior parte dos parâmetros de crescimento do milho durante o período avaliado.
Por isso, os autores destacam que novos estudos, incluindo avaliações em campo e períodos mais longos de cultivo, ainda são necessários para confirmar os benefícios agronômicos e ambientais da tecnologia. Os resultados, porém, apontam potencial para transformar um resíduo da produção de Trichoderma em matéria-prima para bioinsumos e estimular processos biológicos associados à qualidade do solo.

