PowerCoat combina microrganismos do gênero Bacillus à fertilização mineral e estreia no Paraguai após uma década de pesquisas
A Mosaic iniciou no Paraguai a comercialização do PowerCoat, tecnologia biológica desenvolvida para integrar microrganismos benéficos à fertilização mineral. O lançamento representa a entrada da primeira solução proprietária da companhia no mercado de bionutrição da América Latina.
Desenvolvido pela Mosaic Biosciences após cerca de uma década de pesquisa, o produto já é comercializado na América do Norte e recebeu aprovação para uso comercial no Paraguai. No Brasil, a companhia ainda aguarda avanços regulatórios para introduzir suas tecnologias biológicas proprietárias.
A tecnologia se diferencia pela forma como conecta microbiologia e nutrição mineral. Em vez de aplicar o componente biológico separadamente, o PowerCoat é utilizado como revestimento ou impregnação sobre fertilizantes granulados, levando os microrganismos ao solo juntamente com a adubação.
Microrganismos são incorporados ao fertilizante
O PowerCoat é uma formulação biológica à base de bactérias promotoras de crescimento vegetal, conhecidas como PGPR, pertencentes ao gênero Bacillus.
A tecnologia é aplicada sobre fertilizantes minerais secos antes da distribuição no campo. Segundo documentação técnica da Mosaic para os mercados norte-americanos, a formulação é à base de óleo e foi desenvolvida para impregnação de fertilizantes granulados.
O mecanismo está relacionado principalmente à solubilização e ciclagem de nutrientes, processos que podem aumentar sua disponibilidade na região explorada pelas raízes. A companhia associa a atividade microbiana a uma utilização mais eficiente de macro e micronutrientes e ao desenvolvimento das plantas.
Para a indústria de fertilizantes, a integração representa um desafio de formulação: organismos vivos precisam permanecer viáveis quando associados a uma matriz mineral e conservar atividade biológica durante armazenamento, transporte e aplicação.
Segundo a Mosaic, a seleção microbiana e a estabilidade da formulação estiveram entre os pontos centrais do desenvolvimento do PowerCoat.
Formulação busca conciliar biologia e estabilidade
Um dos atributos destacados pela companhia é a estabilidade dos microrganismos.
A Mosaic informa shelf life de até 24 meses para o produto concentrado. Documentação técnica disponível para o mercado canadense indica ainda estabilidade de até 18 meses após aplicação sobre fertilizante seco, dependendo das condições previstas para a tecnologia.
Essa característica é relevante para a expansão de soluções microbiológicas na indústria de nutrição vegetal. A incorporação de organismos vivos a fertilizantes exige compatibilidade entre cepas, componentes da formulação e matriz mineral, além da manutenção de populações viáveis durante a vida útil.
A formulação também foi desenvolvida para ser compatível com diferentes fertilizantes granulados, permitindo sua utilização dentro das operações convencionais de fertilização.
No Paraguai, informações divulgadas pelo distribuidor Glymax indicam que a tecnologia comercializada reúne Bacillus tequilensis e Bacillus velezensis, associados à dinâmica e disponibilidade de nutrientes como nitrogênio, fósforo e potássio.
Ensaios tropicais indicam resposta em soja e milho
Antes da introdução comercial na região, a tecnologia foi avaliada em condições de solos tropicais.
Segundo resultados divulgados pela Mosaic, os ensaios registraram aumento médio de 3,5 sacas de soja por hectare em comparação com fertilização convencional. Para milho, a companhia relata ganho médio de oito sacas por hectare.
Os números correspondem aos ensaios apresentados pela empresa e devem ser interpretados dentro das condições em que os testes foram conduzidos, não como uma estimativa geral de resposta agronômica para diferentes regiões, solos ou sistemas produtivos.
Além da produtividade, a companhia associa a tecnologia ao desenvolvimento radicular, maior aproveitamento de água e nutrientes e atividade biológica no solo.
Paraguai abre expansão latino-americana
A entrada no Paraguai é relevante porque inaugura uma nova etapa da estratégia de bionutrição da Mosaic na América Latina.
Até agora, o crescimento da companhia nesse segmento no Brasil ocorre principalmente por meio de tecnologias de terceiros. O PowerCoat é a primeira tecnologia biológica proprietária da Mosaic Biosciences introduzida comercialmente na região.
A companhia possui ainda entre dez e 12 produtos biológicos em seu pipeline, com lançamentos previstos para os próximos anos, segundo Eduardo Monteiro, country manager da Mosaic para Brasil e Paraguai.
Em 2025, a Mosaic Biosciences registrou US$ 68 milhões em vendas globais, diante de uma receita total de aproximadamente US$ 12 bilhões da Mosaic. A companhia pretende ampliar a participação das soluções biológicas dentro de seu negócio de nutrição vegetal.
Brasil depende de avanço regulatório
Embora o Paraguai seja o primeiro país latino-americano a receber comercialmente o PowerCoat, o Brasil aparece entre os mercados considerados pela companhia para expansão.
Segundo Eduardo Monteiro, a introdução das tecnologias proprietárias no país depende da regulamentação da legislação brasileira de bioinsumos. A companhia acompanha a definição das regras para viabilizar a comercialização local.
Enquanto isso, a Mosaic projeta crescimento de sua operação brasileira de bionutrição utilizando o portfólio atualmente disponível por meio de parcerias.
A chegada do PowerCoat ao Paraguai mostra uma tendência de aproximação entre duas áreas tradicionalmente tratadas de maneira separada: fertilizantes minerais e tecnologias microbiológicas.
Ao colocar microrganismos diretamente sobre o fertilizante granulado, a estratégia desloca parte da inovação em bioinsumos para dentro da própria formulação e logística da nutrição vegetal, criando novas exigências de estabilidade, compatibilidade e escalabilidade industrial.

