Phytalix recebe aval regulatório e estreia no Brasil com tecnologia que ativa as defesas naturais das plantas.
A Ascribe Bioscience anunciou o lançamento comercial do Phytalix no Brasil, após a tecnologia receber aprovação do Ministério da Agricultura e Pecuária (MAPA), da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O país é o primeiro mercado mundial a receber comercialmente a solução.
Desenvolvido a partir de pesquisas em biotecnologia, o Phytalix é um bioquímico voltado à proteção preventiva de cultivos. Diferentemente de soluções que atuam diretamente sobre os patógenos, a tecnologia estimula mecanismos naturais de defesa da própria planta, preparando-a para responder à presença de agentes invasores.
O produto utiliza um ascarosídeo, composto associado ao microbioma do solo e sintetizado em laboratório. Segundo a empresa, a molécula induz rotas metabólicas relacionadas à resposta imunológica vegetal, enquanto a ativação efetiva das barreiras de defesa ocorre quando a planta identifica a presença do patógeno.
O mecanismo de ação também recebeu classificação específica do Fungicide Resistance Action Committee (FRAC). A companhia aponta que essa característica permite incorporar a tecnologia a programas de manejo integrado e estratégias de rotação de mecanismos de ação.
Tecnologia passa por mais de 450 ensaios no Brasil
Antes da chegada ao mercado, o Phytalix passou por cinco anos de avaliações, que envolveram mais de 450 ensaios de campo realizados em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rio Grande do Sul, São Paulo, Bahia, Goiás e Minas Gerais.
O desenvolvimento foi direcionado principalmente aos sistemas produtivos de milho e outras culturas relevantes para a agricultura brasileira. A empresa também conduziu avaliações em arroz, café e algodão.
Nos ensaios, a tecnologia foi avaliada no manejo de diferentes problemas fitossanitários. A Ascribe também relata resultados relacionados à produtividade, que deverão continuar sendo acompanhados durante a utilização comercial na safra 2026/27.
Outro aspecto destacado pela companhia é o perfil operacional do produto. A formulação foi desenvolvida para apresentar estabilidade durante o armazenamento e tolerância a variações de temperatura e à radiação ultravioleta, além de ser compatível com equipamentos e práticas de aplicação já utilizados nas propriedades rurais.
Brasil recebe estreia comercial da tecnologia
A entrada no mercado brasileiro representa o primeiro lançamento comercial global do Phytalix. Para sustentar a operação no país, a Ascribe estruturou uma equipe técnica local e estabeleceu parceiros responsáveis pela formulação e pelo envase em território nacional. A fabricação do ingrediente ativo permanece concentrada nos Estados Unidos.
A companhia, fundada em 2017 a partir de pesquisas realizadas no Boyce Thompson Institute, ligado à Universidade Cornell, também concluiu recentemente uma rodada de investimentos de US$ 12 milhões. A operação foi liderada pela Corteva Catalyst e pela Acre Venture Partners, com participação da Syngenta Group Ventures e outros investidores do segmento de tecnologia agrícola.
Com sede em Nova York e estrutura técnica no Brasil, a Ascribe concentra suas pesquisas no desenvolvimento de tecnologias agrícolas baseadas em compostos derivados da biologia e do microbioma do solo.

