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Início » Fungos da Caatinga mostram potencial para novos biofungicidas
Ciência & Tecnologia Por beatriz5 minutos de leitura18/09/2026 · 17:25

Fungos da Caatinga mostram potencial para novos biofungicidas

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Pesquisa identifica isolados de Trichoderma tolerantes ao calor e capazes de atuar contra patógenos associados a podridões e murchas em cultivos agrícolas

Fungos nativos de solos da Caatinga podem fornecer novas cepas para o desenvolvimento de biofungicidas adaptados às condições de altas temperaturas do semiárido brasileiro. Um estudo conduzido por pesquisadores da Embrapa e instituições parceiras identificou 14 isolados do gênero Trichoderma com características relacionadas ao controle biológico de doenças e à tolerância ao estresse térmico.

Os microrganismos foram coletados em áreas de vegetação nativa e em solos cultivados com melão nos estados da Bahia e do Piauí. Ao todo, foram identificadas cinco espécies: Trichoderma asperellum, T. asperelloides, T. koningiopsis, T. virens e T. spirale.

Além de caracterizar a diversidade presente no bioma, os pesquisadores avaliaram mecanismos de antagonismo contra cinco organismos associados a doenças de solo: Fusarium sulawesiense, Fusarium solani, Macrophomina phaseolina, Rhizoctonia solani e Pythium myriotylum.

Isolados agrícolas apresentam maior tolerância térmica

Um dos resultados mais relevantes foi a diferença de comportamento entre os fungos encontrados em áreas nativas e aqueles provenientes de lavouras irrigadas de melão.

Os pesquisadores avaliaram o desenvolvimento dos isolados em diferentes temperaturas. A 25 °C e 30 °C, não foram observadas diferenças significativas entre os tratamentos. As diferenças tornaram-se mais evidentes a 35 °C, quando isolados provenientes das áreas agrícolas apresentaram maior tolerância ao estresse térmico. Nenhum dos isolados apresentou crescimento a 40 °C nas condições do estudo.

Entre os fungos associados às áreas cultivadas, isolados de T. asperellum, T. asperelloides e T. virens apresentaram desempenho superior sob temperaturas elevadas.

Os autores relacionam esse comportamento possivelmente à adaptação ecológica às condições encontradas nas áreas irrigadas do semiárido, caracterizadas por temperaturas elevadas e fortes oscilações térmicas.

Essa característica tem interesse direto para o desenvolvimento de bioinsumos. Microrganismos selecionados em ambientes diferentes daqueles onde serão aplicados podem apresentar limitações de desempenho quando submetidos a condições ambientais adversas.

A seleção de cepas naturalmente adaptadas a regiões quentes pode, portanto, ampliar as possibilidades de desenvolvimento de produtos biológicos direcionados a ambientes tropicais e semiáridos.

Fungos utilizam diferentes mecanismos contra patógenos

A pesquisa analisou duas estratégias principais de antagonismo.

A primeira envolve competição e micoparasitismo, processo no qual o Trichoderma cresce sobre ou interage diretamente com outro fungo, competindo por recursos e podendo parasitar suas estruturas.

A segunda ocorre por meio da produção de compostos voláteis, capazes de inibir o crescimento dos patógenos mesmo sem contato físico direto.

Os resultados mostraram que a importância de cada mecanismo variou conforme o organismo alvo. Nos ensaios de confronto direto, a inibição foi geralmente mais intensa contra Rhizoctonia solani e Macrophomina phaseolina.

Já para Pythium myriotylum e espécies de Fusarium, os compostos voláteis ganharam maior relevância. Segundo a divulgação da Embrapa, em alguns tratamentos esses compostos reduziram em mais de 70% o crescimento do patógeno.

Essa variação mostra que diferentes isolados podem apresentar perfis específicos de atuação, aspecto importante na seleção de cepas destinadas ao desenvolvimento de produtos para determinadas doenças e sistemas agrícolas.

Trichoderma koningiopsis se destaca nos testes

Entre os 14 isolados avaliados, Trichoderma koningiopsis apresentou desempenho consistente contra os diferentes patógenos e mecanismos de antagonismo analisados, sendo apontado entre os candidatos de maior interesse para futuras avaliações.

Outros isolados também apresentaram atividade relevante, mas com variações de desempenho dependendo do patógeno.

O resultado reforça uma questão importante para o desenvolvimento de biofungicidas: pertencer a uma espécie reconhecida por seu potencial de biocontrole não significa necessariamente apresentar o mesmo desempenho em todas as cepas.

A seleção precisa considerar características específicas do isolado, o organismo alvo, as condições ambientais e também parâmetros relacionados à produção industrial.

Produção de esporos entra na seleção de candidatos

Além da atividade de biocontrole e da tolerância térmica, os pesquisadores avaliaram a capacidade dos fungos de produzir conídios, estruturas utilizadas na fabricação de diversos produtos comerciais à base de Trichoderma.

Nesse aspecto, isolados de T. asperelloides e T. asperellum provenientes das áreas cultivadas com melão se destacaram como os melhores produtores de conídios utilizando fermentação em estado sólido.

Esse parâmetro é importante porque um microrganismo promissor em ensaios biológicos precisa também apresentar características compatíveis com multiplicação e produção em escala.

A pesquisa, portanto, não se restringiu à capacidade dos fungos de inibir patógenos. Ela combinou diversidade microbiana, termotolerância, mecanismos de biocontrole e potencial produtivo, aproximando a seleção das cepas das exigências envolvidas no desenvolvimento de futuros biofungicidas.

Biodiversidade da Caatinga vira fonte para P&D

A Caatinga é o único bioma exclusivamente brasileiro e abriga comunidades microbianas ainda pouco exploradas cientificamente.

Os resultados mostram que ambientes submetidos naturalmente a calor, escassez hídrica e oscilações ambientais podem funcionar como fontes de microrganismos com características de interesse para a agricultura.

No estudo, a composição das comunidades de Trichoderma variou de acordo com o uso da terra e as características químicas dos solos, indicando que o ambiente exerce influência sobre a diversidade e as características dos isolados encontrados.

Para a indústria de bioinsumos, esse tipo de pesquisa amplia a busca por novos ativos biológicos para além das coleções microbianas já exploradas comercialmente.

O próximo desafio é avançar da caracterização laboratorial para etapas que envolvam seleção das cepas mais promissoras, validação em condições de campo, desenvolvimento de formulações, estabilidade e escalonamento produtivo.

O estudo mostra, assim, que a biodiversidade microbiana da Caatinga pode funcionar não apenas como objeto de conservação, mas também como uma fonte de novas tecnologias biológicas para sistemas agrícolas submetidos a condições ambientais desafiadoras.

TL;DR (AI Generated)

Fungos nativos de solos da Caatinga podem fornecer novas cepas para o desenvolvimento de biofungicidas adaptados às condições de altas temperaturas do semiárido brasileiro.

Essa variação mostra que diferentes isolados podem apresentar perfis específicos de atuação, aspecto importante na seleção de cepas destinadas ao desenvolvimento de produtos para determinadas doenças e sistemas agrícolas.

No estudo, a composição das comunidades de Trichoderma variou de acordo com o uso da terra e as características químicas dos solos, indicando que o ambiente exerce influência sobre a diversidade e as características dos isolados encontrados.

Basic summary
ChatGPTClaudeX (Twitter)LinkedIn
biofungicidas Embrapa Fungos

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