Herbicida à base de Asulam atua na biossíntese de folatos e apresenta mecanismo de ação distinto dos principais produtos utilizados no controle de gramíneas resistentes
O avanço da resistência de plantas daninhas aos herbicidas tem aumentado a necessidade de mecanismos de ação capazes de diversificar os programas de manejo. Entre as alternativas está o Asulam, ingrediente ativo do Thunder®, herbicida pós-emergente e sistêmico que atua pela inibição da enzima dihidropteroato sintase (DHPS), envolvida na biossíntese de folatos.
O ingrediente ativo pertence ao Grupo 18 (I) do Comitê de Ação à Resistência aos Herbicidas (HRAC) e, segundo o material técnico, é o único herbicida desse grupo. A diferenciação do alvo bioquímico ganha relevância principalmente em sistemas nos quais herbicidas como glifosato e inibidores da ACCase são utilizados repetidamente.
Um dos alvos para essa tecnologia é o capim-pé-de-galinha (Eleusine indica), espécie amplamente distribuída no Brasil e na qual já são encontrados biótipos resistentes a diferentes herbicidas.
Como a inibição da DHPS afeta a planta
A DHPS participa de uma etapa essencial da biossíntese de folatos. Esses compostos estão relacionados à síntese de nucleotídeos e aminoácidos e às reações de transferência de unidades de carbono necessárias para processos como divisão celular e atividade dos tecidos meristemáticos.
Ao bloquear essa enzima, o Asulam interrompe a via metabólica e compromete processos fisiológicos necessários ao desenvolvimento da planta daninha.
Um dos primeiros efeitos é a supressão do crescimento, principalmente nos tecidos meristemáticos. Posteriormente, aparecem sintomas como clorose nas folhas jovens e em regiões de maior atividade metabólica, que podem evoluir para necrose e morte da planta.
A redução da disponibilidade de folatos também pode afetar processos associados ao metabolismo energético e à manutenção da atividade fotossintética. Isso significa que alterações fisiológicas podem começar antes mesmo de os sintomas provocados pelo herbicida se tornarem visualmente perceptíveis.
Alterações detectadas 24 horas após aplicação
Pesquisadores do Grupo de Pesquisa em Plantas Daninhas e Pesticidas no Ambiente (PDPA/UFRRJ) avaliaram a ação do Thunder® sobre plantas de capim-pé-de-galinha resistentes a glifosato, cletodim e haloxifope.
O trabalho utilizou a técnica de fluorescência transiente da clorofila a, capaz de identificar alterações no desempenho fotossintético antes da manifestação de sintomas visíveis.
Apenas 24 horas após a aplicação do herbicida, foram observadas reduções nos índices PIABS e PITOTAL em comparação com a testemunha. Os resultados indicaram comprometimento tanto da eficiência fotoquímica inicial quanto do transporte de elétrons.
Na prática, embora a planta ainda não apresentasse os sintomas visuais de injúria nas primeiras horas, seu metabolismo energético já estava sendo afetado, reduzindo sua capacidade de crescimento e recuperação.
Novo alvo para programas de manejo
A diferenciação do mecanismo de ação é um dos principais atributos do Asulam diante do avanço da resistência.
Em sistemas agrícolas nos quais glifosato e graminicidas inibidores da ACCase são empregados repetidamente, a utilização de um herbicida que atua sobre outro alvo bioquímico permite ampliar a diversidade dos programas de controle.
Segundo o material técnico, até o momento não existem casos confirmados de resistência de plantas daninhas a herbicidas inibidores da DHPS.
O Thunder® é posicionado para o manejo antecipado de plantas de capim-pé-de-galinha com até oito perfilhos. Na dessecação pré-plantio, a recomendação apresentada é de aplicação pelo menos cinco dias antes da semeadura de soja, milho, algodão e feijão e dez dias antes da semeadura do trigo.
O posicionamento técnico também prevê a associação do produto a outros herbicidas dentro de programas de manejo, permitindo combinar mecanismos de ação distintos.
Para a indústria de proteção de cultivos, a tecnologia adiciona um alvo bioquímico diferente dos encontrados em algumas das principais ferramentas utilizadas atualmente no manejo de gramíneas resistentes, ampliando as possibilidades para estratégias de diversificação de mecanismos de ação.

