Recuperação dos preços e melhora das margens sustentam projeções de expansão do cultivo no Brasil em 2026/27.
O mercado brasileiro de algodão inicia um novo ciclo com perspectivas mais favoráveis para os produtores. A recuperação das cotações internacionais, associada à expectativa de menor oferta global e à retomada do consumo, vem melhorando a rentabilidade da cultura e pode estimular uma nova expansão da área plantada no País na safra 2026/27.
No Mato Grosso, principal estado produtor, a mudança já aparece nas margens. De acordo com Francisco Queiroz, analista da Consultoria Agro do Itaú BBA, produtores de algodão de segunda safra trabalhavam com margem próxima de 25% a 26% em abril. Com a valorização da pluma nos últimos meses, esse percentual passou para aproximadamente 40%.
Embora ainda distante dos níveis de cerca de 70% observados nas safras 2019/20 e 2020/21, o patamar atual é considerado mais próximo da média histórica e amplia a atratividade econômica da cultura.
Área pode atingir novo recorde
A melhora da rentabilidade também influencia as decisões para o próximo ciclo. O Itaú BBA estima crescimento de pelo menos 11% na área brasileira de algodão em 2026/27, que poderia chegar a aproximadamente 2,3 milhões de hectares. Caso a projeção se confirme, o País alcançaria um novo recorde, superando os 2,2 milhões de hectares registrados em 2024/25.
A StoneX também trabalha com perspectiva de expansão, embora em ritmo menor, projetando aumento de cerca de 5% na área cultivada. Segundo a consultoria, a recuperação dos preços devolveu incentivos ao produtor depois de dois anos marcados por cotações menos favoráveis.
No Mato Grosso, outro fator relevante é a relação econômica entre diferentes sistemas produtivos. A combinação entre soja e algodão ganhou competitividade diante da sucessão entre soja e milho, contribuindo para tornar a fibra mais atraente na definição do planejamento agrícola.
Esse movimento, entretanto, não deverá ocorrer de maneira uniforme pelo território brasileiro. A BrasilAgro, por exemplo, prevê redução de sua área de algodão na Bahia. A decisão está relacionada a ajustes operacionais e à busca por maior rentabilidade, considerando fatores como custos, condições das áreas cultivadas e riscos climáticos.
Produção brasileira alcança patamar histórico
Enquanto o setor avalia a próxima temporada, a atual safra se aproxima do encerramento com produção recorde. O Itaú BBA projeta uma colheita entre 4,2 milhões e 4,3 milhões de toneladas de algodão no Brasil.
No mercado internacional, a pluma acumulou valorização superior a 8% na Bolsa de Nova York desde julho. O movimento está relacionado às expectativas de redução da produção mundial e de maior equilíbrio entre oferta e demanda.
A perspectiva de queda dos estoques, acompanhada por uma demanda mais firme, tende a continuar influenciando as cotações. Apesar dos riscos relacionados ao clima e à produtividade, a melhora do cenário financeiro aumenta os incentivos para o cultivo e coloca a expansão da área brasileira entre os principais movimentos esperados para a safra 2026/27.

