Após concluir o ciclo de aquisições, empresa acelera o crescimento orgânico e amplia os investimentos em soluções biológicas para o agronegócio
A Nitro iniciou uma nova etapa de sua estratégia no agronegócio. Depois de ampliar sua presença no setor por meio de aquisições, participações societárias e parcerias com agtechs, a companhia passou a concentrar seus esforços na integração dos ativos incorporados e no crescimento orgânico das operações.
A expectativa é elevar o faturamento da divisão agro de aproximadamente R$ 1 bilhão, registrado em 2025, para cerca de R$ 1,2 bilhão em 2026. O avanço projetado é próximo de 20% e ocorre em um cenário marcado por restrições de crédito, custos elevados, instabilidade climática e redução das margens dos produtores rurais.
O agronegócio já representa uma parcela relevante dos negócios da Nitro. Em 2025, a área respondeu por quase metade da receita total da empresa, estimada em R$ 2,3 bilhões. Seis anos antes, quando a companhia iniciou sua estratégia de expansão por aquisições, o faturamento do segmento agrícola ainda era inferior a R$ 100 milhões.
A nova fase será sustentada pelo fortalecimento da estrutura comercial, pelo aproveitamento das sinergias entre as empresas adquiridas e pela ampliação do portfólio de soluções voltadas à produtividade das lavouras. Dentro desse planejamento, os bioinsumos ocupam posição central.
Atualmente, os produtos biológicos correspondem a aproximadamente 15% da receita da divisão agro. A meta é elevar essa participação para cerca de 30% nos próximos anos. Já as soluções de nutrição foliar e fisiológica respondem por 60% do faturamento, enquanto fertilizantes especiais de solo, enxofre e micronutrientes representam os 25% restantes.
Embora todas as categorias continuem no plano de crescimento, a companhia espera que os biológicos apresentem as maiores taxas de expansão. A avaliação é que o mercado brasileiro ainda possui espaço significativo para avançar, tanto entre produtores que ainda não utilizam essas tecnologias quanto entre aqueles que já adotam bioinsumos, mas em volumes reduzidos por hectare.
Novas tecnologias reforçam o portfólio
A Nitro manteve seu calendário de lançamentos e apresentou ao mercado o bionematicida Elmo Max, desenvolvido a partir de um investimento de R$ 10 milhões. O produto foi criado para fortalecer a atuação da companhia no controle biológico de nematoides e ampliar sua oferta de soluções de maior valor agregado.
Outro lançamento realizado em 2026 foi o Stay Up, regulador de crescimento destinado a culturas como soja e feijão. As novidades fazem parte da estratégia de oferecer tecnologias capazes de elevar a produtividade e melhorar a rentabilidade do produtor, especialmente em períodos de maior pressão econômica no campo.
O portfólio de biológicos da companhia reúne atualmente cerca de dez produtos. A meta interna é apresentar ao menos duas novas tecnologias por ano, apoiadas por investimentos em pesquisa, desenvolvimento e inovação equivalentes a aproximadamente 2% da receita.
A produção dos principais bioinsumos está concentrada na fábrica inaugurada em Várzea Paulista, no interior de São Paulo. A unidade recebeu aporte de aproximadamente R$ 50 milhões e possui capacidade para produzir até 1 milhão de litros de bactérias por ano.
Atualmente, a planta opera com cerca de metade de sua capacidade e fabrica, entre outros produtos, o Elmo Max e o biofungicida Égide Max. Segundo a companhia, a estrutura existente é suficiente para acompanhar o crescimento projetado pelos próximos três anos.
As demais linhas industriais também dispõem de capacidade para sustentar o plano de expansão até o fim da década. Com isso, a Nitro não prevê, no curto prazo, novas aquisições ou a construção de unidades produtivas.
Crédito ganha espaço na estratégia
Além da expansão comercial e tecnológica, a empresa reforçou sua estrutura de financiamento ao agronegócio. Em setembro de 2025, a Nitro lançou um Fundo de Investimento em Direitos Creditórios com emissão total de R$ 200 milhões.
A operação foi dividida entre R$ 150 milhões em cotas seniores, R$ 40 milhões em cotas subordinadas mezanino e R$ 10 milhões em cotas júnior. A gestão ficou sob responsabilidade da Opea, enquanto a coordenação foi realizada pelo Banco Votorantim.
Os dados mais recentes do fundo indicam patrimônio líquido de aproximadamente R$ 140 milhões e carteira de R$ 124,9 milhões. Desse total, R$ 118,2 milhões estavam relacionados a créditos adimplentes e R$ 6,6 milhões a operações inadimplentes.
O novo veículo se soma a outro FIDC mantido pela empresa desde 2023, em parceria com o Itaú, cuja capacidade inicial foi estabelecida em R$ 250 milhões por ano. A ampliação dessas estruturas busca oferecer novas alternativas de crédito aos produtores e apoiar a continuidade dos investimentos em tecnologia agrícola.
Com a combinação entre inovação, ampliação do portfólio, infraestrutura instalada e soluções financeiras, a Nitro pretende consolidar uma nova fase de crescimento no agronegócio, com os bioinsumos como principal vetor estratégico.

