Nova modalidade reconhecerá práticas ambientais, sociais e produtivas nas fazendas, com auditoria presencial e R$ 40 mil em premiação
A Região do Cerrado Mineiro amplia o escopo de uma das principais premiações da cafeicultura nacional. A 14ª edição do Prêmio Região do Cerrado Mineiro abre inscrições em 17 de agosto e incorpora uma categoria dedicada à produção regenerativa, reforçando a sustentabilidade como atributo estratégico para a valorização da origem e da cadeia produtiva do café.
Produtores terão até 23 de setembro de 2026 para participar por meio das cooperativas e associações ligadas à Federação dos Cafeicultores do Cerrado. Tradicionalmente direcionada à qualidade sensorial, origem e rastreabilidade, a premiação passa a destacar de maneira mais estruturada também os impactos ambientais, sociais, econômicos e produtivos das propriedades.
A principal novidade é o Prêmio Futuro Regenerativo, desenvolvido para reconhecer cafeicultores que incorporam práticas de regeneração às suas operações. A categoria está associada ao movimento “Um Futuro Regenerativo para o Café” e contará com metodologia própria de avaliação.
Na primeira fase, os participantes responderão a um formulário digital que dará origem a um score de sustentabilidade de cada propriedade. As cinco fazendas com melhor desempenho avançarão para a etapa seguinte, que incluirá auditoria presencial para validação das práticas adotadas.
Os três primeiros colocados dividirão R$ 40 mil: o vencedor receberá R$ 30 mil, enquanto o segundo e o terceiro lugares serão contemplados com R$ 7 mil e R$ 3 mil, respectivamente.
“O prêmio evolui junto com a cafeicultura da região. Continuamos reconhecendo a excelência dos cafés, mas passamos também a valorizar de forma mais explícita as iniciativas que contribuem para o futuro da produção, da paisagem e das comunidades do Cerrado Mineiro”, afirma Juliano Tarabal, diretor executivo da Federação dos Cafeicultores do Cerrado.
Sustentabilidade ganha espaço na estratégia
A criação da nova categoria evidencia uma mudança relevante na construção de valor do café de origem. Além dos aspectos sensoriais, atributos relacionados à forma de produção, impacto socioambiental e desenvolvimento territorial ganham importância na diferenciação do produto e na comunicação com compradores e consumidores.
Para Tarabal, a iniciativa também pretende ampliar a visibilidade de produtores que já adotam práticas regenerativas. Segundo o executivo, embora existam diferentes reconhecimentos ligados à sustentabilidade no país, a nova categoria busca ocupar um espaço ainda pouco explorado especificamente no campo da regeneração aplicada à cafeicultura.
A edição 2026/2027 preserva as categorias Café Natural, Cereja Descascado, Fermentado e Doce Cerrado Mineiro. Também permanecem reconhecimentos como o Troféu Escola de Atitude, direcionado a projetos educacionais de impacto social, e o Troféu Atitude Sustentável, dedicado às boas práticas agrícolas e socioambientais.
Protagonismo feminino permanece em destaque
O programa Elas no Cerrado também integra a nova edição e reconhece a contribuição das produtoras para a excelência dos cafés e para o desenvolvimento da Denominação de Origem Região do Cerrado Mineiro.
A participação será automática para amostras inscritas em nome de produtoras nas categorias Natural, Cereja Descascado e Fermentado, fortalecendo a visibilidade feminina dentro da cadeia produtiva regional.
Avaliação e calendário
Cada produtor poderá apresentar uma amostra por categoria por intermédio das cooperativas e associações participantes. Na modalidade Doce Cerrado Mineiro, os cafés serão avaliados por especialistas conforme o protocolo Coffee Value Assessment (CVA), da Specialty Coffee Association (SCA), considerando especialmente a doçura e a aderência ao perfil sensorial característico da região.
Após o encerramento das inscrições, setembro será dedicado à conferência documental, validação das participações e preparação das amostras. As avaliações sensoriais e o ranqueamento dos lotes estão previstos para outubro, enquanto a cerimônia de premiação deverá ocorrer em novembro.
Premiação também estimula valor comercial
Além do reconhecimento institucional, os cafés mais bem avaliados contarão com incentivos comerciais vinculados à cotação da Bolsa de Nova York.
Nas categorias Natural, Cereja Descascado e Fermentado, os campeões receberão o equivalente a Nova York + 300; os segundos colocados, Nova York + 200; e os terceiros, Nova York + 120. No Doce Cerrado Mineiro, seis cafés escolhidos pelas cooperativas participantes terão remuneração equivalente a Nova York + 50.
Os lotes premiados também serão incorporados às iniciativas de promoção e comercialização da Denominação de Origem, ampliando sua exposição junto a compradores nacionais e internacionais.
Os nove melhores cafés das categorias Natural, Cereja Descascado e Fermentado participarão ainda de um Leilão Solidário, com uma saca de cada lote. Do total arrecadado, 40% será destinado ao Troféu Escola de Atitude.
Com a inclusão do Prêmio Futuro Regenerativo, a Região do Cerrado Mineiro amplia a narrativa de qualidade associada à sua Denominação de Origem. A estratégia conecta excelência sensorial, procedência e práticas regenerativas, atributos que ganham relevância na construção de reputação, diferenciação e valor agregado em mercados cada vez mais atentos à origem e ao impacto dos produtos.

