Tecnologia transforma doces e outros resíduos alimentares em matéria-prima para produção de etanol, ampliando a oferta de biocombustíveis.
A Ambipar desenvolveu uma tecnologia que utiliza resíduos da indústria alimentícia como matéria-prima para a produção de etanol, ampliando as possibilidades de abastecimento além das rotas tradicionais baseadas em cana-de-açúcar e milho. A iniciativa integra a estratégia da empresa de promover soluções alinhadas aos princípios da economia circular, transformando resíduos em insumos para diferentes cadeias industriais.
O projeto teve origem durante o período da pandemia, quando a alta demanda por álcool para limpeza e higienização evidenciou a necessidade de diversificar as fontes de matéria-prima. A partir desse cenário, a companhia iniciou pesquisas para aproveitar resíduos ricos em açúcares e amidos, incluindo balas, chocolates, pães, refrigerantes e sucos, desenvolvendo uma nova rota para obtenção de etanol.
Segundo a empresa, a atuação na gestão de resíduos da indústria de alimentos e bebidas facilita o acesso aos insumos necessários para o processo produtivo. Além de reduzir o descarte em aterros, compostagem ou incineração, o modelo contribui para diminuir custos operacionais e gerar benefícios ambientais, como a redução de emissões e a geração de créditos de carbono.
Após uma fase de testes e validações, a Ambipar iniciou a operação do projeto em escala comercial no segundo semestre de 2025. Nesse período, a unidade passou a processar cerca de 600 toneladas mensais de resíduos, alcançando uma produção aproximada de 250 mil litros de etanol.
A empresa informa que o biocombustível já atende diferentes aplicações, incluindo combustíveis, produtos de limpeza, perfumaria e etanol neutro. A estratégia prevê ampliar a distribuição da produção e expandir a utilização da tecnologia para novos mercados, acompanhando a crescente demanda por soluções sustentáveis.
De acordo com a Ambipar, o processo também apresenta ganhos de eficiência. Enquanto a produção tradicional gera cerca de 80 litros de etanol por tonelada de cana-de-açúcar e aproximadamente 380 litros por tonelada de milho, a rota baseada em resíduos alimentares pode alcançar até 400 litros por tonelada, dependendo da composição da matéria-prima utilizada.
A companhia acredita que a disponibilidade de resíduos industriais, aliada ao avanço da economia circular e à infraestrutura do setor, cria um ambiente favorável para a expansão dessa alternativa de produção de etanol no Brasil.

