Nova empresa combinará pipeline tecnológico e expertise em formulação para desenvolver e comercializar soluções de proteção de cultivos na Europa e nas Américas
A Corteva e a belga Globachem firmaram um acordo definitivo para criar uma joint venture 50/50 dedicada ao desenvolvimento e à comercialização de novas soluções formuladas para proteção de cultivos. A operação reunirá capacidades das duas companhias para acelerar tecnologias em estágio avançado de desenvolvimento e transformá-las em produtos destinados aos mercados da Europa e das Américas.
A nova empresa terá operação independente e trabalhará com tecnologias provenientes dos pipelines das duas sócias, especialmente aquelas que já se encontram entre as etapas finais de desenvolvimento e a fase comercial.
O objetivo será avançar esses ativos pelas etapas de desenvolvimento, formulação, registro e comercialização, aproveitando competências complementares da Corteva e da Globachem. Os produtos resultantes poderão ser comercializados de forma independente por uma ou pelas duas companhias.
A expectativa é que as primeiras soluções desenvolvidas pela joint venture cheguem ao mercado no início da década de 2030, utilizando os canais comerciais já estabelecidos pelas empresas.
Formulação integra estratégia da parceria
Um dos principais componentes tecnológicos do acordo é a especialização da Globachem em desenvolvimento e formulação de produtos para proteção de cultivos.
A estratégia prevê combinar essa capacidade com o pipeline e a estrutura de descoberta e desenvolvimento da Corteva. Segundo as empresas, a integração deverá permitir o desenvolvimento de soluções mais direcionadas a culturas e mercados específicos.
A Globachem, sediada em Sint-Truiden, na Bélgica, atua no desenvolvimento e na comercialização internacional de produtos para proteção de cultivos e está presente em mais de 60 países.
Além da formulação, a empresa aporta à joint venture experiência em desenvolvimento de produtos e execução regulatória, etapas necessárias para transformar tecnologias em estágio avançado em soluções registradas e comercializáveis.
Para a Corteva, a parceria permite ampliar a utilização de tecnologias de seu pipeline ao mesmo tempo em que incorpora competências externas em etapas posteriores do desenvolvimento.
“Combinando nosso pipeline e nossas capacidades de inovação com a experiência da Globachem em formulação, buscamos ampliar e acelerar a entrega de soluções mais direcionadas e abrangentes”, afirmou Brook Cunningham, vice-presidente sênior da Corteva, ao anunciar o acordo.
Joint venture parte de colaboração já existente
A criação da nova empresa amplia uma parceria de vários anos que já existe entre Corteva e Globachem.
Com a joint venture, a colaboração passa a ganhar uma estrutura empresarial própria, permitindo que as duas companhias compartilhem recursos e competências no desenvolvimento de novos produtos.
Segundo Koen Quaghebeur, cofundador e Chief Visionary Officer da Globachem, a combinação reúne a capacidade de descoberta e desenvolvimento da Corteva à experiência da companhia belga em desenvolvimento de produtos, formulação e processos regulatórios.
A estrutura também diferencia a parceria de um acordo convencional de distribuição ou licenciamento. A joint venture terá participação igualitária das duas empresas e será responsável por avançar tecnologias até etapas mais próximas da comercialização.
Os detalhes financeiros da operação não foram divulgados.
Acordo antecede nova estrutura da Corteva
A parceria ocorre durante a reorganização societária da Corteva. A companhia prepara a separação de seus negócios de sementes e genética avançada e de proteção de cultivos.
Após a operação, a futura Corteva permanecerá concentrada em proteção de cultivos, incluindo seu portfólio de tecnologias diferenciadas e sua plataforma de biológicos. A companhia terá sede em Indianapolis, nos Estados Unidos.
A própria empresa relaciona a nova joint venture à estratégia da futura companhia independente. Segundo Cunningham, a colaboração com a Globachem é uma das iniciativas destinadas a ampliar e fortalecer o portfólio de proteção de cultivos antes da separação.
A nova estrutura poderá utilizar tecnologias das duas empresas e concentrar-se em soluções para culturas consideradas estratégicas nos mercados selecionados.
A conclusão da transação está prevista para o quarto trimestre de 2026, condicionada às aprovações regulatórias necessárias. Até a efetivação dessas etapas, a criação da joint venture permanece sujeita às condições previstas no acordo.
Para a indústria de proteção de cultivos, a operação aproxima diferentes etapas da cadeia de inovação: pipeline tecnológico, desenvolvimento, formulação, registro e acesso comercial. A expectativa das companhias é utilizar essa integração para levar as primeiras soluções resultantes da parceria ao mercado no começo da próxima década.

